Quando não houver negociação, chame o GATE!

Longe de ser apenas um grupo, o GATE é hoje uma das ferramentas mais primordiais para a manutenção da segurança pública em ambiente urbano. Sem ele, o destino de São Paulo não seria o mesmo.

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Em velocidade, mas com segurança e perícia, as viaturas camufladas em dois tons de cinza e preto deslocam-se em emergência pelas ruas de São Paulo, saindo da Vila Maria, à beira da Marginal do Rio Tietê, até o Itaim Paulista. Serão em torno de 25km e quase 30 minutos driblando o trânsito para sair da Zona Norte até a periferia da Zona Leste de São Paulo.

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GATE of the São Paulo State in Brazil

No local, os policiais daquela área, da Polícia Militar paulista, já faziam o cerco à residência. Mas apesar de terem feito todo o primeiro atendimento, era preciso aguardar as equipes que vinham ao seu encontro. Somente eles teriam condições de equipamentos e, acima de tudo, capacitação para resolver aquela crise: Fabiano Crisóstomo, de 34 anos, invadiu a casa da ex-namorada, Patrícia Correia (29), por volta das 12h15 fazendo ela e a sua irmã reféns. Com passagem pela polícia, Crisóstomo não se conformava como fim do relacionamento de dois anos de duração. Um motivo banal, mas uma situação extrema onde vidas tinham que ser preservadas. Uma missão complexa, que somente aqueles homens poderiam resolver.

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O GATE trabalha em dois turnos de 12 horas, todos os dias. No momento do acionamento da ocorrência, a equipe envolvida já estava há cinco horas no plantão daquele turno que ao todo dura 12 horas. Negociadores, atiradores de precisão (sniper) e o pessoal da equipe tática, ao assumirem aquela ocorrência, só voltariam para casa depois de tudo resolvido. Não importa quanto tempo vai levar.

Naquele caso em especial foram quase 11 horas de negociações, fora o tempo de desmobilização, deslocamento de volta para a sede na Zona Norte e a checagem do equipamento. Facilmente aquele turno foi finalizado com 20 horas de duração. Para seres humanos normais, pode parecer algo impossível devido ao cansaço físico e emocional sofrido naquelas longas horas de negociações, com toda a falta de conforto, peso do equipamento, apreensão, adrenalina e angústia que se possa imaginar. Mas para o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), isso é parte da sua rotina.

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Terrorismo, negociações com reféns

Dentro da estrutura do Comando de Policiamento de Choque (CP Choque), o GATE está inserido no 4º Batalhão de Policia de Choque “Operações Especiais”, compondo três das suas seis companhias – a quarta, quinta e sexta. Cada uma tem, em média, de 25 a 30 policiais operacionais e um efetivo total (incluindo administrativo) de 162 policiais. As três primeiras companhias do 4º de Choque são do Comandos e Operações Especiais, o COE, que possui um perfil de atuação em locais de mata, selva e ribeirinha, enquanto as ações do GATE se concentram exclusivamente em ambiente urbano.

É impossível pensar em segurança pública sem a presença do GATE. Nos mais variados contextos urbanos o grupo se faz presente. Nos sequestros com reféns, suicidas armados, desarmamento de explosivos localizados em locais públicos ou encontrados em tentativas de estouros de caixas eletrônicos e ações contra terror em ambientes abertos ou fechados.

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O valor material dos equipamentos que hoje fazem parte do grupo e que são os melhores e mais avançados disponíveis no mundo, comparável com unidades de ações especiais de outros países, além do que é investido na formação e treinamento dos seus homens, isso é possível quantificar. Entretanto é impossível dimensionar a importância do GATE para o Estado de São Paulo.

Em 30 anos de história até os dias de hoje os números do grupo em ocorrências são mais do que impressionantes. Até hoje foram 478 ocorrências com reféns atendidas com 678 causadores das crises detidos e 793 pessoas liberadas (não levando em consideração rebeliões em presídios onde já foram feitos mais de mil reféns numa única ocasião). O número só é menor que o do FBI norte-americano, onde neste caso estamos comparando uma unidade com atuação estadual e outra com abrangência mundial. “O FBI atua em situações com reféns localizados e não localizados, ou seja, você é um repórter norte-americano fazendo matéria no Afeganistão e é sequestrado, o FBI considera isso como sendo uma ocorrência com refém não localizado. Reféns localizados são aqueles em que você sabe onde ele está e envia a equipe tática para a negociação. Alguns grupos de intervenção possuem 300 ocorrências com reféns em 40 anos de existência”, explicou o comandante do GATE, Major PM Valmor Racorti.

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Até poucos anos atrás a grande quantidade de ocorrências com reféns ocorria numa situação em que o marginal era cercado pela polícia no ato do assalto e fazia reféns para negociar a sua fuga e integridade física. Entretanto, atualmente, existe um número elevado de ocorrências com pessoas que sofrem de alguma perturbação mental ou motivação passional, como foi o caso da recepcionista Patrícia Correia. “Anteriormente, 94% das ocorrências eram resolvidas com negociação, número que agora caiu para 60%, ou seja, em 40% das ações é preciso fazer a intervenção tática”, completa.

Neste caso o trabalho é feito de maneira muito delicada para tentar entender a motivação daquela pessoa para o crime e encontrar um meio de fazer com que ela desista de uma possível ação extrema.

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Numa ocorrência com reféns o GATE utiliza uma equipe multidisciplinar de profissionais – todos policiais. O negociador, que vai sem farda, com um colete balístico na cor azul clara e é o responsável por iniciar todo o processo de negociação com o agressor. “Temos aqui negociadores formados em psicologia. Ao lado do negociador fica um anotador que vai registrando as informações que são repassadas para o comando da ocorrência e que por sua vez vai levantando dados de inteligência que são transmitidos para o negociador. As peças do quebra-cabeças são montadas e pessoas podem ser chamadas para contribuir numa conversa com o sequestrador, mas sempre protegida pelos policiais do GATE”, explica o Major PM Racorti.


Além do negociador, há ainda um sniper e um spotter, que ficam juntos num local discreto e distante observando a cena como um todo. Eles são responsáveis por tentar enxergar o entorno do local, possíveis movimentações internas e auxiliar com dados e informações para que uma estratégia seja montada. Existe uma mítica de que o sniper só faz o tiro de comprometimento, sendo que na verdade o seu papel é muito mais abrangente. Por fim, existe ainda a equipe tática que fica à postos para fazer qualquer tipo de intervenção.

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Algo que é massificado pelo Major PM Racorti, em todas as oportunidades em que conversamos, são os objetivos do GATE em qualquer tipo de ação feita pela unidade: “preservar vidas, aplicar a Lei e reestabelecer a normalidade”. Até mesmo a vida do agressor tentará ser preservada na medida do possível. Na ocorrência com a recepcionista Patrícia Correia isso não foi possível. O GATE buscou incessantemente negociar a liberação da refém e a rendição de Crisóstomo, garantindo a vida de ambos. E foi o próprio agressor que determinou as escolhas a serem tomadas pelo GATE. Ao longo das 11 horas em que manteve Patrícia em cárcere privado, várias agressões foram cometidas por ele contra a jovem de 23 anos. O criminoso também já havia postado um vídeo nas mídias sociais em que mostrava a vítima e a ameaçava de morte. A gota d’água, porém, foi quando ele começou a colocar fogo no cabelo de Patrícia. Em segundos a porta foi explodida e o agressor atingido fatalmente pelos policiais. A vítima foi socorrida sem ter sido ferida pela ação dos policiais e rapidamente levada para o hospital. A operação foi cirúrgica, eficiente e durou cinco segundos. O agressor morreu na ação. “E nós lamentamos isso, pois nosso objetivo é salvar vidas, seja de quem for. Se ele tivesse se rendido, teria sido preso e julgado pela justiça. O GATE dispõe de armamento de baixa letalidade para preservar a vida do agressor mas, naquele caso, nem isso surtiu efeito. Ao ser atingido ele continuou em direção à vítima pronto para esfaqueá-la, quando tivemos que usar o armamento convencional e pôr um fim na situação”, lamenta o Major PM Racorti.

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O comandante da operação é quem dá as ordens. Ele que decide pela invasão tática ou o tiro do sniper. Quase sempre em todas essas situações é o próprio Major PM Racorti que se faz presente.

Na invasão, porém, a decisão sobre qual será o procedimento a ser tomado, seja o uso de munição de baixa letalidade ou convencional é feita pelo time tático que se depara com a situação diante de seus olhos. É uma questão operacional e segue às normas, doutrinas e o treinamento exaustivo feito pelos integrantes do GATE.

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As ações, por sua vez, são todas registradas em fotos e vídeos e ficam disponíveis para estudos, relatórios e também para a justiça. Caso existam mortes, elas são informadas para o Departamento Estadual de Proteção à Pessoa da Polícia Civil do Estado de São Paulo, além do Ministério Público. “Somos legalistas. A PM é legalista e segue à risca a Constituição. Somos transparentes e as nossas ações visam sempre isso – a legalidade acima de tudo. Se o sequestrador libertar a vítima e ameaçar suicídio nós vamos tentar convencê-lo numa nova negociação a se entregar e não se matar. Vai começar tudo novamente e faremos isso quantas vezes for necessário. Nossa missão é preservar vidas, esse é o nosso papel. Seja quem for”, completa o Major PM Racorti. A média são de 17 ocorrências com reféns por ano.

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Doutrina

O GATE recebe, constantemente, grupos de outros estados e até de outros países em São Paulo como forma de aprender novas técnicas, táticas e doutrinas. Em 2017 todos os seus oficiais visitaram batalhões de operações especiais no Sudeste. Existem ainda intercâmbios com equipes de Argentina, Colômbia, Espanha e de algumas SWAT norte-americanas. “A Argentina é boa na parte de explosivos enquanto as SWAT possuem conhecimentos e experiências com atiradores ativos e terrorismo. Na Espanha trabalhamos a parte antiterror, tráfico de entorpecentes, cumprimento de mandados de busca e numa forma de atuação que é diferente da nossa no tocante a abordagens e bloqueios. Ainda não temos ocorrências com atiradores ativos em São Paulo, mas o número de situações com pessoas que sofrem de algum tipo de perturbação está aumentando e nada impede que isso venha a acontecer. Estamos nos antecipando”, esclarece o Major PM Racorti.

O GATE tem feito uma série de treinamentos em ambientes como igrejas, shopping centers, estádios, assembleia legislativa, câmara municipal com o intuito de conhecer o maior número de locais, sua geografia e as maneiras possíveis de atuação em vários tipos de ambientes, sejam em situações com reféns ou com atiradores ativos.

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Na unidade, cada especialidade possui o que é chamado grupo Delta, ou seja, um gabinete de instrução e padronização de procedimentos que visa manter os policiais atualizados em termos de negociação, sniper, equipe tática e bombas. É válido ressaltar que todas as ocorrências são analisadas, estudadas, lições são aprendidas e o que funcionou ajuda a formar uma base que posteriormente pode se transformar numa doutrina. Todos compartilham da experiência e o foco é sempre a melhora e o aperfeiçoamento.

Menos de 12%

Dos 87 policiais que ingressam no curso de Ações Táticas Especiais do GATE em 2017, apenas 11 foram aprovados e 10 efetivamente aproveitados pela unidade. Isso porque o curso para ingresso no GATE é extremamente rígido e feito não apenas para selecionar as capacidades e aptidões para operações especiais, mas também para escolher aqueles que de fato possuem um bom psicológico para pertencer ao GATE.

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“O bom policial é aquele que quando se depara diante de uma situação adversa consegue soluciona-la da melhor maneira possível, ou seja, salvando vidas. Você só sabe se é bom na prática, na ocorrência, no emprego real”, revela o Major PM Racorti.

O curso possui 30 dias de duração e vale ressaltar que o aluno é levado ao seu extremo, ao seu limite. Assim, as instruções podem passar de 18 horas de duração por dia. Nesse sentido o aluno aprende técnicas de rapel, desembarques de aeronaves em áreas de risco, invasões táticas, uso de explosivos, arrombamento tático, invasões em estruturas tubulares, entre outras. “Podemos dizer que são 30 dias e noites. É bem puxado mesmo. Para conseguir entrar no curso é preciso ser voluntário. O candidato passa por um crivo onde são analisadas a conduta no tocante à PM e o seu histórico na Corporação. Ao ser aceito ele entra num estágio de 90 dias onde faz a programação diária, conhece a estrutura, os homens do GATE e nesse período vamos ver onde ele será enquadrado, seja na equipe tática, negociação ou esquadrão de bombas. Pode ser que ao final do estágio ele ainda não seja enquadrado e dispensado. Para sniper são anos de GATE até que ele chegue no topo. Caso seja utilizado, ainda assim será preciso fazer cursos específicos e aprofundar os conhecimentos onde ele vai atuar, seja na negociação, bombas ou equipe tática.

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A conduta do policial no GATE, entretanto, não pode mudar jamais. Aliás, talvez seja mais fácil entrar do que permanecer na unidade. A manutenção do seu aprendizado, aperfeiçoamento e evolução dos conhecimentos deve ser constante, assim como a proficiência no tiro e avaliações físicas. “O policial será afastado se não for bem na avaliação física e de tiro, em exames feitos regularmente. Não pode relaxar, tem que manter o alto nível. O aprimoramento é constante”, finaliza o Major PM Racorti.

Afinal, o GATE só vai às ruas em acionamentos reais e as missões dadas são as mais extremas, beirando o impossível para serem cumpridas.

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~João Paulo Moralez

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